
Retenção de fêmeas começa a reduzir oferta de gado para abate no Brasil
Movimento já aparece com maior intensidade em estados de cria, enquanto Mato Grosso registra redução mais moderada associada à presença dos confinamentos.
A oferta de bovinos para abate tende a ficar mais restrita no Brasil com o avanço da retenção de fêmeas para recomposição do rebanho. Dados apresentados no 6º Fórum Pecuária Datagro indicam que o movimento ocorre ao mesmo tempo em que os confinamentos ampliam a disputa por animais de reposição.
A redução do abate de fêmeas aparece de forma mais acentuada em Rondônia, Pará, Mato Grosso do Sul e Tocantins, estados com participação relevante na atividade de cria. Segundo avaliação apresentada pela Datagro, esse comportamento indica avanço do processo de retenção.
Em Mato Grosso e São Paulo, as quedas no abate de fêmeas foram mais moderadas. A diferença foi associada pela consultoria à maior presença dos sistemas de confinamento nos dois estados.
A Datagro estima que a retenção poderá acelerar a recuperação do estoque bovino brasileiro a partir de 2027. A projeção apresentada no fórum aponta para produção próxima de 50 milhões de bezerros naquele ano, com cerca de 3 milhões de matrizes a menos em relação ao recorde de 2023.
A reposição também ganha peso na estrutura de custos dos confinamentos. Segundo João Otávio Figueiredo, head de Pecuária da Datagro, aproximadamente 80% do custo do confinamento está relacionado à compra dos animais de reposição.
