Mudanças climáticas devem ampliar necessidade de irrigação na agricultura brasileira

Pesquisadores apontam que maior frequência de estresse hídrico torna produção de sequeiro mais vulnerável e defendem investimentos em tecnologia, infraestrutura e gestão da água

As mudanças climáticas devem tornar a irrigação cada vez mais necessária para garantir estabilidade à produção agrícola brasileira. Pesquisadores reunidos no Fórum Mais Milho, realizado em Brasília, apontaram que o aumento da ocorrência de eventos climáticos adversos está tornando mais desafiadora a produção de grãos baseada exclusivamente no regime de chuvas.
O pesquisador da Embrapa Cerrados Lineu Rodrigues destacou que a agricultura de sequeiro teve papel importante na competitividade brasileira, mas as alterações no comportamento do clima aumentam a necessidade de sistemas capazes de reduzir os riscos provocados pela falta de água. O especialista também defendeu maior investimento em monitoramento climático e geração de dados para melhorar o planejamento das propriedades.
O potencial brasileiro para expansão é significativo. Segundo dados apresentados no evento, o país teria capacidade de acrescentar 53,4 milhões de hectares à área irrigada no longo prazo, podendo superar 60 milhões de hectares. Uma expansão de 15,5 milhões de hectares nos próximos 30 anos também foi apontada como possibilidade dentro de uma estratégia nacional de segurança alimentar.
Desse potencial, aproximadamente 6,4 milhões de hectares estariam localizados em regiões onde a implantação da irrigação apresenta condições mais favoráveis. A estimativa apresentada pelos pesquisadores indica ainda a possibilidade de incorporar 2,1 milhões de hectares a cada quatro anos em áreas próximas aos oito principais polos agrícolas irrigados do país.
A ampliação da infraestrutura, entretanto, exigiria investimentos privados estimados entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões no longo prazo. Entre os principais obstáculos apontados estão licenciamento ambiental, armazenamento e outorga para utilização da água, além da disponibilidade e qualidade do fornecimento de energia elétrica.
Os pesquisadores defendem que a expansão seja acompanhada por planejamento e tecnologias capazes de aumentar a eficiência no uso dos recursos hídricos. A irrigação é apontada como uma ferramenta para reduzir perdas causadas por períodos de estiagem e eventos como El Niño e La Niña, além de permitir maior estabilidade da produção sem necessariamente incorporar novas áreas agrícolas.

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