Queda das compras chinesas amplia espaço para etanol de milho produzido em Mato Grosso

Avanço da produção própria da China aumenta necessidade de novos destinos para o cereal brasileiro, enquanto indústria de biocombustíveis expande capacidade no estado

A redução das importações de milho pela China reforça a necessidade de diversificação dos destinos da produção brasileira e aumenta a importância do mercado interno. Em Mato Grosso, principal produtor nacional do cereal, a expansão da indústria de etanol surge como uma das alternativas para absorver parte da oferta.

A China chegou a importar menos de 2 milhões de toneladas de milho nas últimas temporadas e atualmente cultiva cerca de 44 milhões de hectares. Com produtividade média de 6,5 mil quilos por hectare, a produção chinesa está próxima de 307 milhões de toneladas, diante de um consumo estimado em aproximadamente 325 milhões.

No Brasil, a produção de etanol deve alcançar cerca de 41 bilhões de litros na safra atual. Desse volume, aproximadamente 30 bilhões são provenientes da cana-de-açúcar e 11 bilhões do milho. Mato Grosso responde por cerca de 62% da produção brasileira do cereal e aproximadamente 25% da produção nacional de etanol.

A capacidade industrial mato-grossense também está em expansão. Novas usinas começaram a operar neste ano e outra unidade está prevista para entrar em funcionamento em Rondonópolis em 2027, aumentando o processamento de milho dentro do próprio estado.

O crescimento da indústria, entretanto, também exige novos mercados para o biocombustível. A previsão é que o Brasil encerre a safra com estoque de passagem próximo de 4 bilhões de litros de etanol. As exportações devem alcançar cerca de 1,5 bilhão de litros, tendo Coreia do Sul, Estados Unidos e Países Baixos entre os principais destinos.

Além do mercado tradicional de combustíveis, o setor acompanha oportunidades no transporte marítimo e na produção de combustível sustentável de aviação (SAF). A estimativa apresentada pela indústria é que a substituição de 10% do combustível utilizado pelo transporte marítimo por etanol poderia gerar demanda adicional de até 50 bilhões de litros por ano.

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